Como fazer uma prova discursiva? Parte 2/2

Olá pessoal!

Estamos aqui, mais uma vez, como prometido, para darmos continuidade às nossas conversas sobre provas discursivas. Primeiramente, gostaria de agradecer todos os comentários positivos quanto ao último artigo. Fico muito feliz, pois meu objetivo era esse mesmo: ajudar todos os concurseiros de T.I em sua jornada.

Da última vez eu tinha prometido apresentar uma Redação nota 10 para vocês. Bem, na verdade é mais de uma. São as, já famosas, redações do TCU 2007 feitas por Klauss Henry, que respondiam ao segundo dia de provas discursivas – uma de 20 linhas e a outra de 50. As provas valiam 20 e 40 pontos, respectivamente. Klauss conseguiu o feito impressionante de tirar a nota máxima: 60 pontos somados em ambas as provas. Realmente algo nunca antes visto neste país =P.

Ao final apresento minhas considerações sobre a impetração de recursos para discursivas. São pequenas dicas que juntei ao longo dos anos e que me ajudaram vez ou outra a ganhar uns pontinhos. Afinal de contas, o que fazer quando tudo dá errado?

Sem mais delongas, aqui estão os comandos das questões e, logo após, as provas.

Questão 3:

Descreva como uma organização pode adotar de forma consistente e eficaz um processo de desenvolvimento de software e sistemas com base nos modelos CMMI, RUP e PMBoK.

Redação:

Redija um texto dissertativo que apresente o esboço e os pontos-chave de um programa de melhoria de uma organização prestadora de serviços de TI. Considere que a missão dessa organização seja apoiar as atividades de analistas de controle externo da União, no que concerne à atividade de auditoria de TI. Em seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:

< gestão de serviços de TI: diagnóstico do estado atual, conformidade, definição das áreas a serem abordadas e agenda de ações a serem realizadas por área;

< desenvolvimento de serviços de TI: diagnóstico, conformidade, definição das áreas a serem abordadas e agenda de ações a serem realizadas por área;

< uso de tecnologias avançadas como sistemas de suporte a decisão, gerenciamento de conteúdos, plataforma J2EE e sua integração com infra-estrutura;

< segurança da informação: diagnóstico, prognósticos, conformidade, diretrizes e agenda de ações.

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Algumas considerações sobre os textos:

1.       O primeiro, e talvez mais impressionante, aspecto que salta aos olhos é a capacidade de síntese e objetividade do Klauss. É claro que, também, o fato dele dominar os assuntos ajuda bastante, mas isso não é suficiente para muitas pessoas, que acabam se perdendo em seus textos, com muita prolixidade e descontinuidade de idéias. Pessoal, sejam objetivos. O avaliador percebe quando o candidato está “enrolando” e o penaliza por isso!

2.        O segundo aspecto que me chamou a atenção foi o da abrangência dos seus textos. Perceba como, apesar dos comandos das questões serem extremamente abrangentes – afinal de contas, poder-se-ia escrever um livro inteiro sobre os tópicos – ele consegue falar do essencial, sem se perder nem ser muito detalhista ou superficial.

3.       O terceiro aspecto, que, na verdade, é um desdobramento do segundo é o das palavras mágicas. Veja como ele cita as seguintes palavras em uma seqüência lógica e coerente, ressaltando as partes mais importantes: Ishikawa, Pareto, análise de requisitos, metas gerais e específicas CMMI, PMO, BSC, missão institucional, Plano Diretor de TI, Alinhar TI e Negócios, Dominios COBIT – Aquisição e Implementação, Entrega e Suporte, Mon. e Avaliação e Planejamento e Organização, ISO 17799, CMMI, ITIL, Service Desk, as gerências do ITIL, PSI, GED. Todo assunto tem suas palavras mágicas. Lembre-se delas ao escrever seu texto

4.       E por último, mas não menos importante, o aspecto da continuidade dos textos também chama muito a atenção. Note que, para esta prova do TCU, a missão do candidato era um pouco mais complicada (afinal de contas, é o TCU…): o avaliador não segmentou os tópicos de forma direta, fechada, como na prova do STJ que mostrei no artigo passado. Facilita muito a vida do candidato quando a prova vem no estilo “Defina isso. Fale sobre aquilo. Explique sobre tal método/aspecto/processo”, pois a divisão lógica entre os parágrafos torna-se óbvia. No caso das questões do Klauss, os comandos eram muito mais vagos – eles deixaram o candidato bem livre para citar o que quisesse e estruturar o texto na forma em que ele julgasse melhor, de forma que o formato “topificado” de redação talvez não funcionasse muito bem para esta prova. Faz mais sentido, de fato, ligar as idéias com começo, meio e fim. E isso o Klauss fez de forma magistral.

Podem ser feitas várias outras observações, pois os textos são muito ricos. Estude-os com atenção e você entenderá um pouco melhor o que o avaliador do CESPE deseja encontrar toda vez que ele corrige uma prova discursiva.

Recursos

Para finalizar, deixo aqui algumas dicas que me ajudaram a ganhar uns pontinhos em recursos de discursivas, após muito penar e me indignar com algumas correções. Primeiramente, gostaria de dizer que você não deve esperar muito da organizadora, especialmente em se tratando de CESPE. É raro ela reconsiderar pontos em provas discursivas, e, quando o faz, atribui poucos pontos no final das contas. As chances de você ganhar dois ou três pontos em uma prova que vale dez são muito pequenas, a não ser que o avaliador tenha cometido um tremendo engano, o que não é comum.

Considerações:

1.       Seja realista. Antes de tudo, muita calma nessa hora. Analise sua prova e o espelho de correção. Veja se o seu texto realmente abordou o que o avaliador esperava que você abordasse. Tente encontrar algum ponto onde você achou que foi injustiçado. Este passo é básico, não adianta se enganar – se o seu texto está realmente ruim, talvez seja melhor poupar o seu tempo fazendo outras coisas. Certa vez, houve uma prova em que eu precisava de alguns poucos pontos para entrar nas vagas, e estava decidido a brigar por eles na discursiva. Ao pegar o meu texto e o espelho de correção, notei que tive sorte em, sequer, atingir o mínimo – eu não havia falado quase nada que o avaliador esperava que eu falasse (achei que era para falar sobre um assunto e acabei falando de outro). Desisti e fui malhar, jogar bola, ao cinema. Foi melhor. Mas claro que você tem todo o direito de, sempre, recorrer – fica a seu critério.

2.       Caso, após essa primeira análise, você decida redigir seu recurso, observe os seguintes pontos:

a.       Não conteste o próprio processo de correção da discursiva, isto é, não tente “brigar” com a organizadora, ela é soberana na correção e elaboração da prova. Contestações do tipo “o tempo foi escasso”; “os pesos dados às correções foram desproporcionais”; e “o critério de correção foi injusto” normalmente não dão resultado.

b.      Mostre exatamente onde você abordou o que foi pedido pela questão. Seja claro. Expressões vagas do tipo “É possível verificar claramente que existe um respeito à ordenação das ideias e dos argumentos.” não significam nada para o avaliador. Ele fica no escuro, a não ser que você mostre onde foi injustiçado. Melhor seria se você argumentasse nesse estilo: “Olha, Avaliador, NESSE trecho aqui do texto, eu citei o que vocês queriam”, e então você cita o trecho em análise. Quanto à argumentação lógica, você deve mostrar a seqüência de idéias, como por exemplo: “Essa ideia (cita o trecho) se conecta com essa (cita outro trecho) que, por sua vez, acaba nesta conclusão (cita a conclusão)”. Enfim, a ideia é ser explícito, e não ficar divagando muito no seu recurso. Facilite a vida do avaliador.

3.       Seja honesto. Em vez de dizer, por exemplo, que: “A quantidade de pontos descontados foi desproporcional ao conteúdo apresentado”, é melhor você ser claro no seu recurso e dizer algo nos termos: “Sobre tal assunto, há 3 aspectos a serem abordados, e eu abordei 2 no meu texto, porém tive apenas metade dos pontos atribuídos a mim. Requero que, pelo menos, 2/3 dos pontos sejam atribuidos a este item, visto que esta foi a proporção na qual abordei-o”.

Por hoje é só pessoal, espero que tenham gostado dos artigos.

Abraços, bons estudos!

Nando Pedrosa
Obras do Autor:
Kit FCC de provas comentadas
Prova Comentada: TRT 16 região (MA) - FCC
Prova Comentada: Banco Central do Brasil (2001) - ESAF
Prova Comentada: TRF 5 Região - FCC
Prova Comentada:  TRT 2 Região (São Paulo) - FCC
Prova Comentada: TJ-PA - FCC

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7 Comentários

  1. Juliana Martins Asevedo

    Estava procurando material para auxiliar a um aluno, minha principal dificuldade foi encontrar exemplos de provas. Muito bom o artigo vou recomentar em minhas aulas.

  2. Fernando

    Rogério, redações técnicas como esta que expliquei no artigo não necessitam de título.

  3. Rogério

    Olá!

    Gostaria de saber sobre o título de suas redações, ele já não conta como uma linha? Não devemos coloca-lo na linha 01? 

  4. Marcio

    Gostaria de saber qual a média de nota que a cespe costuma dar em média para candidatos com conteúdo, pelo menos em média, você sabe de alguem que teve alguma nota da banca da cespe, desde já obrigado!!!

  5. Janaina Schussler

    Parabéns pelos seus textos sobre questões discursivas!
    Terei que fazê-las no meu próximo concurso e todas as dicas são bem-vindas!

  6. Beatriz

    Excelente artigo, continue postando sobre as questões discurssivas!! Temos pouco material sobre o assunto.
     

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