Trajetória: Monique Monteiro – Aprovada no TCU TI 2009

Fonte: http://forumconcurseiros.com/forum/showthread.php?t=251216

Atendendo a alguns pedidos, estou dando aqui meu depoimento com relação à aprovação no TCU e concursos em geral.

Falando um pouco da minha vida acadêmica, eu me graduei em Ciência da Computação pela UFPE, onde também realizei meu mestrado. O mestrado – compilação de linguagens funcionais para a plataforma .NET – parecia um desafio e tanto mas felizmente foi concluído . Paralelamente, eu precisava trabalhar, e atuava em um projeto na área de Matemática computacional em uma empresa de Recife. Foi pelos idos de 2005-2006, e nesse período esses dois desafios me faziam pensar que de resto tudo seria mais “fácil”.

Na mesma época, prestei o concurso para o Banco Central. Comprei
umas apostilas sobre Conhecimentos Bancários, Economia e Direito Administrativo, matérias das quais pouco havia ouvido falar. Consegui aprovação em 5º. lugar, mas aí ocorreu um episódio particularmente triste: minha mãe precisou passar por uma cirurgia em São Paulo na mesma época do curso de formação. Não podendo ficar longe dela nesse momento – moramos só nós duas, pois não tenho irmãos e meu pai faleceu há muitos anos – tive que renunciar ao curso de formação em Brasília e consequentemente à vaga no BACEN.

Depois do concurso do BACEN, os concursos para a área de TI em Recife foram ficando cada vez mais esporádicos, e em sua maioria eram para formação de cadastro de reserva nos quais nem o 1º. lugar era chamado. Até então eu não tinha vontade de sair de Recife, pois adoro minha cidade. Tenho trabalhado desde então na iniciativa privada, onde já desempenhei vários papéis: engenheira de software, gerente de projetos e arquiteta de software. Acho que a experiência prática em várias atividades foi bem útil para ampliar os conhecimentos, mesmo não sendo o suficiente para resolver provas de concurso

Há menos de 1 ano atrás, em busca de estabilidade e de uma carreira profissional mais promissora e desafiadora, decidi retomar os concursos. Vi o edital do Senado e comecei a estudar a matéria de TI do programa. Sabia que ia ser difícil, afinal tinha gente estudando há anos, gente que não trabalhava, enfim. Trabalhando o dia inteiro de segunda a sexta, só restavam umas 2 horas por noite e os finais de semana. Superar o cansaço não era nada fácil. Cerca de 2 meses depois veio a prova. Com o resultado, vi que ficara em 16º. lugar, e, apesar de estar fora das 6 vagas, fiquei muito feliz! Afinal, aquele resultado com o pouco tempo de preparação do qual eu dispunha mostrava que eu estava no caminho certo.

No início de 2009, vieram ANATEL e ANTAQ. Com as lições aprendidas da prova do Senado, e sabendo que a banca era CESPE, eu sabia que precisava ajustar a metodologia de estudo. A receita para mim era: ler os livros de referência (Pressman, Sommerville, Tanenbaum, Nakamura), os materiais oficiais de COBIT e ITIL e o PMBOK. Este era o que eu melhor dominava, pois já havia feito o curso preparatório para a certificação (falta “só” a certificação: estou esperando atingir as 3.500 horas de experiência nos 5 grupos de processo ). Estudei também pelos clássicos de Direito Administrativo e Constitucional (Vicente Paulo e Alexandrino). Desenvolvi também um método “próprio” (na verdade não é próprio: depois descobri que outras pessoas faziam o mesmo ): resolvia exercícios de provas passadas e, para as questões que errava, consultava a bibliografia e anotava o trecho onde estava a resposta para a questão. Com isso ia montando mini-resumos que ajudavam a fixar o conteúdo. Esses mini-resumos eram bem úteis de serem revisados na véspera de prova. Também aumentei o ritmo de estudo nos finais de semana para 8-10 horas (durante a semana o máximo que consegui foi 3 horas por dia – bem que eu queria ter mais disciplina).
Enfim, saídos os resultados, foi uma surpresa: 4º. lugar na ANATEL e 1º. lugar na ANTAQ! O resultado da ANTAQ me deixou muito feliz dado o grande número de concorrentes! Com esses resultados, confesso que pensei em desistir definitivamente do Senado, ainda que me chamassem, devido aos noticiários diários de escândalos.

Finalmente veio o TCU. Bem, eu nunca havia feito o concurso do TCU, pois as provas sempre eram em Brasília. Como eu achava que nunca tinha tempo suficiente de estudar e consequentemente não passaria, não queria arriscar fazer prova em outro estado. Eu sabia pouco a respeito do órgão. Vendo o programa, mais ou menos 1 mês e meio antes da prova, comprei o Administração Geral e Pública do Chiavenato e o de Controle Externo do Luiz Henrique Lima. Adquiri também o curso online de Administração do Ponto dos Concursos. Aliás, com relação a cursinhos, nunca freqüentei. Aqui em Recife não há muitos cursos voltados para a área de TI,e, mesmo que houvesse, dadas as minhas limitações de horário, sempre achei que sobraria pouco tempo para o estudo individuai, que pelo menos para mim ainda é o mais eficiente. Bem, mas isso aí é uma questão pessoal…

Como fazia com todos os livros que comprava, só lia mesmo os capítulos referentes ao programa. Já tinha visto o nível das provas de 2007 e 2008 quando resolvia provas passadas do CESPE para ANATEL/ANTAQ e sabia o que me “esperava”. Bem, confesso que me inscrevei só por curiosidade, porque, apesar de estar estudando para concurso há alguns meses, meu foco nunca havia sido o TCU! No dia da prova, ao ver o nível de dificuldade, não pensei que passaria.

Até que veio a excelente notícia da minha aprovação No dia seguinte, o pessoal do trabalho já havia descoberto, pois a notícia se espalhara. O desafio agora vai ser mudar para Brasília, cidade que não conheço, mas estou felicíssima em saber que terei a honra de integrar o super-time do TCU, que já tem tradição!

Concluindo, acho que um dos fatores que ajuda é o fato de ter sido boa aluna desde os tempos de colégio e da faculdade, chegando a obter o 1º. lugar no vestibular da Universidade Católica de Pernambuco.

Bem, é isso!
Abraços a todos,
Monique

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