Existe, de fato, vida após a posse?

Seguindo a série de posts sobre assuntos relativos a concursos, dicas de estudo e motivação para não desistir, publico agora mais um da série “Desistir é para os fracos”, onde você poderá ler à vontade e rir com qualidade, ou vice-versa, você escolhe, afinal quem manda é o freguês.

Este artigo procura responder a uma das maiores questões da vida de um concurseiro, a qual o leva, às vezes, a perder noites de sono e semanas de estudo: “Existe, de fato, vida após a posse?”.

Sim, existe. Se quiser descobrir como é a vida que te espera após ler seu nome na lista de obituário aprovados no DOU, me acompanhe:

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Existe, de fato, vida após a posse?

2ª edição

Talvez você tenha chegado até aqui movido pela curiosidade do título, acertei? Realmente, a curiosidade humana é uma força muito poderosa, desde a mais tenra idade. Que o digam pais, avós, tios, etc., tentando ensinar – em vão – a pequena criança a não enfiar o dedinho na tomada. Atiçar a curiosidade do leitor justamente com o título é uma das maiores armas que um escritor pode se utilizar para atrair leitores. Nem sempre se consegue, e, mesmo se houver êxito nessa tentativa, não é garantia de sucesso. A curiosidade é uma faca de dois legumes, visto que, se o conteúdo não for de qualidade, e não trouxer satisfação ao leitor, a decepção é certa e ele se sentirá enganado.

Mas, por que esse título? Obviamente você já percebeu que ele é um trocadilho, ou seja, um jogo de palavras com a conhecida pergunta “existe, de fato, vida após a morte?”. Sua origem remonta aos tempos de minha preparação (e posterior aprovação) para o concurso MPU2007 quando, lembrando-me de minha promessa para mim mesmo “Vou estudar e só pararei quando passar em um bom concurso!”, lancei meu sloganApaixone-se pelo estudo, case-se com ele e seja feliz até que a posse os separe”. Lembrei-me da promessa que fiz à minha esposa, em meu casamento, de honrá-la e amá-la até que a morte nos separasse, e adaptei-a à vida de concurseiro.

Nesse concurso MPU2007, minha aprovação se deu além do que eu imaginava: 1º estadual e 5º nacional, porém era cadastro-reserva. Pense em uma decepção eu não ter sido convocado. Mas, foi melhor assim, pois se tivesse sido chamado, dificilmente teria me esforçado o suficiente para poder passar no concurso CGU2008, onde precisei superar grandes deficiências e limites pessoais para lograr êxito e estar aqui incentivando-o a fazer o mesmo: superar-se.

Bem, e chegou esse dia fatídico, mas estou falando da posse, é claro. E passado esse portal que separa a vida de sofrimentos e agruras que todo concurseiro enfrenta, até chegar na vida eterna, digo, estável, posso comparar o antes (estudos) e o agora (céuviço público =o) e dizer se valeu a pena ou não sofrer tanto para chegar até aqui. É provável que essa seja a segunda maior dúvida (a primeira é se vai conseguir passar dessa vez) na mente de todo concurseiro: vai valer a pena todo o esforço, depois que eu passar, tomar posse e entrar em exercício, ou será uma grande decepção?

É possível alguém se decepcionar no serviço público, mesmo ganhando acima de 2 dígitos mensais? Sim, pode. E os motivos são simples: primeiro, por causa de uma idealização do serviço público ou do órgão em si. Não existe lugar perfeito para se trabalhar, simplesmente porque não existem pessoas perfeitas. E você vai trabalhar com pessoas. Segundo, se estiver visando apenas aos cifrões do contracheque. É fato: ganhar R$ 10 mil ou mais por mês não é garantia de satisfação profissional. Não acredita? Mas, é a mais pura verdade. Resumindo, não estude para passar em um concurso tendo unicamente como motivação o salário, pois isso poderá lhe trazer grande decepção. Procure conhecer o órgão, sua missão institucional, atribuições do cargo, etc., para mitigar esse risco.

Poderia ainda ser dito que algumas pessoas têm um certo receio do trabalho desenvolvido no setor público, que vai depender diretamente das atribuições do órgão e do cargo em si, mas, posso lhe assegurar que a figura lendária do “assistente de carimbador” está em extinção acelerada. E quem vem da iniciativa privada pode – e deve – trazer muitas experiências úteis, e estar preparado para aprender muita coisa nova, às vezes maçante, outras emocionante, principalmente quando você descobre o fim e o resultado de seu trabalho.

Outra coisa, embora seja um serviço, teoricamente, mais tranquilo, não quer dizer “vida boa”, principalmente se você não quiser ser apenas mais um, mas sim trabalhar por um Brasil melhor. E essa deve ser uma das principais motivações de um concurseiro: contribuir para um país melhor. Assim, além de você mesmo ter um futuro melhor, estará contribuindo para melhorar o futuro de seus pais, irmãos, filhos, vizinhos, etc. Nunca é demais lembrar: servidor público é alguém que SERVE, e isto se dá em vários sentidos: que é útil, necessário, adequado, prestativo. Tenha isso em mente agora que você ainda é concurseiro para que não venha a se tornar um inservível após ser empossado, ok?

Agora confesse: ser concurseiro é complicado, não é? Talvez, por isso, a maioria das pessoas não consiga entender a vida de um concurseiro – nem nós mesmos, às vezes, conseguimos -, afinal, quando lhe perguntam o que você faz e você responde: “eu SÓ estudo”, a pergunta seguinte é: “só isso, você não faz mais nada além disso?”. Como se sobrasse tempo e disposição para fazer algo mais depois de um dia TODO estudando… Lembro-me de um dos questionamentos (indiretos) feitos quando pedi demissão para estudar: “por que ele não pediu demissão DEPOIS de passar no concurso?”. Poucas pessoas entendem que, dependendo do concurso, dedicação integral, total e irrestrita aos estudos é o mínimo que se exige para quem quer ser aprovado.

Tomo por empréstimo o exemplo (real) de um colega, com a devida autorização: ele acordava às 6h para estudar, e tinha uma parada estratégica por volta das 7:30h, para um passeio cachorrístico. Depois disso, retornava ao batente e tinha outra parada lá pelas 17:30h, quando não suportava mais ver livro na frente, então novamente saía com seu fiel escudeiro em busca de vida inteligente fora das apostilas. Ele me disse que era seu momento de lazer, mas desconfio que era o momento de lazer de seu cachorro, não dele. Ele realmente precisava passar com urgência em um concurso. =op

Entretanto, esse horário de puro espairecimento mental coincidia com a saída/chegada das pessoas “normais” para/do trabalho. E como somente o viam nesses horários, nessas duas ocasiões, ficava a impressão que a única coisa que ele fazia era servir de guia para o cachorro… oh, vida, oh azar. Chegou ao cúmulo de, um dia, alguém lhe dizer: “meu filho, você não acha que está passeando demais com seu cachorro não? Você faz o que na vida? SÓ estuda? Não dá para trabalhar também não?”. Você está rindo, né? Reconheceu-se na foto, foi? Pois é, e ainda tem gente que pensa que ser concurseiro é moleza.

Sejamos francos, isso é vida? O que faz alguém, em sã consciência, querer esse tipo de vida? Ok, ok, retiro as palavras “sã” e “consciência”. Essas duas palavras, associadas a um concurseiro, em um mesmo texto, não parecem combinar muito. Bem, mas por que alguém opta por viver assim? Esperança de uma vida [futura] melhor, claro. Não é isso que o motiva agora? Era o que me motivava: VIDA após a posse.

Logo, para se saber se existe mesmo vida após a posse, é necessário saber quais requisitos são exigidos para alcançá-la, pois essa está reservada apenas aos escolhidos (ou aprovados, eleitos, como queira), não para qualquer um. Você já ouviu falar da história de uma tal “porta estreita, caminho apertado”? Sim, eu sei, aquela história é para quem quer chegar ao Céu de verdade, não ao cargo almejado, mas me permita tomar por empréstimo a frase para utilizá-la como ilustração de minha vida ANTES da posse (concurseiro) e agora DEPOIS da posse (servidor).

A porta estreita e o caminho apertado representam uma vida de renúncia, de abnegação e sofrimento, em troca de algo melhor no futuro. O sentido original da história, e a promessa de seu autor (não eu, mas Ele), era de que todo aquele que fosse até o fim, no final, iria receber a recompensa. Seguindo a mesma linha de raciocínio, inclusive isso é ponto pacífico entre concurseiros e professores: quem perseverar até o fim será aprovado. Mesmo se estiver estudando de forma incorreta, não desistindo, terá a oportunidade de se corrigir e, afinal, conquistar seu objetivo.

Mas, por que ainda estamos falando sobre ANTES da posse, se o tema é justamente APÓS a posse? Em que pese eu já ter atravessado esse bendito portal, a esmagadora maioria dos que estão lendo este texto encontra-se exatamente do lado de lá, correto? E, na tentativa de incentivá-los a não desistir, é que ainda martelo nesse ponto: é aí, desse lado, que se constroem os fundamentos das recompensas que serão usufruídas aqui.

Agora que falamos um pouco sobre esses assuntos maçantes e marcantes, todavia extremamente necessários, podemos falar um pouco sobre a vida APÓS a posse, propriamente dita. Para ser sincero, eu gostaria de ter mais o que dizer sobre isso, mas, como recém-ingresso nessa nova vida, ainda não pude adquirir know-how suficiente para detalhar como é a vida após a posse. Outra coisa que deve ser dita é que não estou com a menor vontade em apressar esse processo, preferindo saborear esses momentos lentamente, como se degustasse um fino chocolate e o deixasse derreter na boca. =o)

Todavia, para não deixá-lo frustrado, ou pelo menos diminuir a frustração, vou novamente me valer do testemunho de meu colega, amigo já, que, apesar dos passeios caninos, passou em 1º lugar para um excelente concurso, mesmo nível que o meu. Ele sim sabe o que é vida após a posse, tendo em vista seu histórico anterior. Ele me confidenciou que tinha uma “mesada” de R$ 180,00/mês para “lazer”. Não, não, passear com o cachorro era “de fora à parte”. Como esse gordo orçamento era para TODO o lazer, e lhe cabia a obrigação de presentear sua namorada em datas estratégicas, de 6 em 6 meses (junho e dezembro, ou seja, dia dos namorados e natal), ele ficava economizando na entressafra para poder cumprir com seu dever cívico a contento nas datas aprazadas.

Ah, tem mais: as saídas eram sempre no perfeito estilo cavalheirístico inglês “fifty-fifty” (50/50), traduzido por “rachamos meio a meio, tá bom assim pra você?”. Uma vez tentei utilizar esse aprovadíssimo sistema com minha esposa, na época ainda nas fases iniciais de levantamento de dados, err… quero dizer “nos conhecendo”. Quase fui reprovado, e nem tinha edital rodando na praça ainda… Dura essa vida de concurseiro, viu! E agora, como está esse meu colega, ainda passeando com seu companheiro peludo? =o)

Bem, além de estar com uma “mesada” ligeiramente maior, que tem a parte ruim de assumir os outros “fifty” (50%), em seis meses já viajou para seis lugares diferentes, conhecendo coisas novas. Acho que era para compensar a fase de “isolamento”. Só não perguntei se o cão foi junto… não, acho que não… isso era coisa da vida ANTES da posse, esquece. Embora isso seja muito legal e gratificante, não é o principal. O que é, então? A realização profissional. Isso, meu caro leitor e concurseiro [sofredor], não tem preço, embora um salário atrativo torne as coisas bem melhores, claro. xo)

Você já deve ter percebido, caro leitor, que VALE a pena batalhar com afinco para poder, um dia, adentrar à vida estável. E afirmo: vale sim, com certeza. Como algumas pessoas gostam de citar, é uma mudança praticamente da água para o vinho, do cativeiro para a liberdade. Para alguns é a sonhada independência financeira, para outros a independência das apostilas, e para outros ainda é a satisfação de poder dizer que “chegou lá”, que conquistou seus objetivos, embora varie de pessoa para pessoa o objetivo conquistado.

Digamos que passar em um concurso – e ser empossado, claro – é tão somente o início de um processo que culmina em uma fase de novas e extasiantes descobertas, quando passamos a viver experiências inéditas. Como alguém que ainda se encontra descobrindo os sabores e cores dessa vida APÓS a posse (e adorando o processo =o), é lícito afirmar que todo e qualquer esforço será válido e recompensado quando o objetivo for alcançado.

Portanto, ainda não é o momento de jogar a toalha, pelo contrário, é momento de suar ainda mais e redobrar os esforços para, finalmente, poder se dar ao luxo de descansar após a vitória, saboreando cada momento da tão desejada VIDA após a posse.

1ª edição publicada em: Existe, de fato, vida após a posse?

wallysou

ex-concurseiro =o)

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