Trajetória: Walter Cunha – Parte IV: Amanhecer

Amanhecer…

Enfim, eu havia chegado a Manaus e aquela música GUNS não saía da minha cabeça:

Welcome to the jungle
We got fun and games
We got everything you want
Honey, we know the names

E, logo, eu aprendi uma coisa, parceiro, : “Quando se olha para a selva, a selva também olha para você”. Por isso, em Manaus, o papo era reto, o elemento só tinha 3 opções à noite: ou se corrompia, ou se omitia, ou ia pra guerra.”  Eu
me omiti, ou seja, me casei logo antes de me corromper, pois não era o Capitão Nascimento e sim o Ten Eng. Walter Luis! O “Cunha” veio depois par passar seriedade…:)

Já na FAB, eu não era o exemplo da marcialidade, mas acabei me tornando um oficial engenheiro operacional pra caramba. Lembro que, quando cheguei no SIVAM, a gente pisava no barro e almoçava no barracão da peãozada da construção do prédio. Hoje em dia, o prédio é uma jóia (de verdade) encravada no meio da selva.

Tirando as formaturas no Sol no meio dia-dia na pista da Base Aérea, eu adorava ser milico. A vida era muito simples por casa da hirerarquia (ou você manda ou você obedecia, e selva!) e do uniforme que te deixa sempre elegante. E  o mais importante, eu era obrigado a me barbear todo dia, evitando que eu me tornasse um ogro, como de costume.

Viajei muito pela Amazônia e pelo resto do País. Deixei de ser um simples cearense, para me tornar um cidadão brasileiro. Vivenciei o fato de que muitos brasileiros que pagam impostos simplesmente não são tratados como cidadãos pelo Estado, nem mesmo pelos seus próprios compatriotas. E depois reclamamos porque está cheio de estrangeiros por lá…

Bom, mas voltando aos que interessas aos concurseiros…

Só para contextualizar… O problema maior das FAs é o peso dos pensionistas, o  qual corresponde a 90% da folha. Então, para sair um aumento para os da ativa, tem-se que levar todo mundo junto, e isto é um parto de cearense para o orçamento. Lembro que, quando me tornei um tenente,  os agentes da PF eram considerados peãozada perto de nós, oficiais. Só que, a cada novo ciclo de aumentos das carreiras, as FAs tomam um balão e já tem até Capitão hoje saindo para virar Agente da PF (nada contra os agentes…). Um delegado da PF recém-concursado ganha mais que um oficial general com 30 anoa de caserna. Captou? Resultado: evasão em massa.

Voltando… Por ser tão operacional, fui convidado para um missão de dois meses nos EUA (transferência de tecnologia). Peeeeeeeeeeeeense  no pinto no lixo ao ver a neve e vivenciar o primeiro mundo! E mais, com passaporte de serviço, com o qual você praticamente não para na imigração. (se acha…)

Pois bem, foi lá que fui atraído pela notícia da previsão do concurso para Perito da PF de 2004 (lembram que aqui começou a minha estória de concurseiro como expliquei no Crepúsculo?). Vi o salário, a pompa do cargo, as vagas para minha área (Àrea 02) e então havia decidido a me tornar um Perito da Polícia Federal, o novo nirvana da minha vida.

Ao voltar do EUA, tornei-me um concurseiro iniciante  e, como tal, caí nos estudos e cometi toda a sorte de barbaridade que este povo (ô raça…) costuma comenter: piranguei nos materiais, estudei por legislação obsoleta, sem planejamento, comprei aquelas apostilas caça-níquel, não fiz cocursos prévios, etc.  Porém, duas coisas eu fiz direito: procurar um cursinho bom para quebrar o gelo e começar a preparação para o teste físico junto com estudos.

No dia da primeira prova, como um hauly que era, tomei logo um caldo. Consegui a proeza de PERDER o meu estojo de canetas. Pense no desespero! A minha sorte foi que todo milico quer virar PF. Minha sala estava cheia de sargentos e um (bendito) deles percebeu o meu desespero e cedeu uma de suas canetas Agora, imaginem o meu estado de espírito depois de um abalo desses? Ainda sim fiz a prova e fiquei em 3ro do regional, mas era apenas um vaga.

Veio então o Nacional, e, mais “experiente”, fiz a prova  na maior tranquilidade. Depois, veio a convoção para o psicotécnico. Claro que seria no mesmo canto do Regional, nunca mudava e eu não li o edital… Adivinha o que aconteceu? Eles mudaram o local e eu perdi o exame… Nesse dia, eu entendi o que um cara que toma um tiro de escopeta a queima roupa nos peitos sente.

O fato é que eu já estava há quatro anos em Manaus e continuava ouvindo meus superiores dizendo o quanto eu era imprecindível à unidade, ou seja, traduzindo, eles não queriam liberar minha tranferência de Manaus. E eu nem tinha comido jaraqui!

Veio o concurso da Auditor da Receita, com vagas para TI, e sem especificação de formação (e o salário…ô)! Eu era engenheiro eletrônico, metade das coisas eu sabia (infra) e metade não (sis). Estudei feito um condenado porque tinha que compensar a deficiência nas maérias fiscais e deixei matérias como Estatística e Matemática Financeira de lado, afinal, eu era um engenheiro do ITA (arrogância…). Acreditem se quiser, vai parecer castigo,  mas aquela foi a prova de Matemática Financeira e Estaística mais CAVERNOSA de todos os tempos. E eu perdi a “minha vaguinha” de Auditor, por ter ficado no corte justamente nessas matérias, uma vez que minha nota geral havia sido muito superior ao primeiro lugar da lista de aprovados. 🙁

Entrei em depressão, tanto que minha esposa foi quem praticamente entrou com os recursos por mim, mas, mesmo assim, não deu. Fiquei meio desenganado com os concursos e aproei para a tranferência pelas vias normais na FAB. Quando veio a SEFAZ-AM, eu estava com a cabeça em Curitba-PR para onde eu iria.  Nesse concurso, acabei ficando a uma vaga de entrar e ainda houve uma desitência, ou seja, eu poderia ter entrado com um Mandado de Segurança , ir fazendo o CF, enquanto a SEFAZ-AM formalizava a convocação, ou seja, eu estaria dentro. Contudo, não fiz nada, pois, já nao estava mais pensando tanto em salário, eu queria mesmo era ser tranferido.

Eis que, um belo dia, às véspera de minha tranferência, estou eu no Galeão-RJ, quando, no portão de embarque, na volta de uma missão, recebo a fantástica notícia de que minha transferência havia sido vetada aos 47 do segundo tempo. Perdi o chão… Fui atrás de saber o que tinha acontecido, e descobri: eu havia tomado uma punhalada de um “colega”, muito próximo, que entregara que eu constava na lista dos convocáveis da PF 2004, só para ficar com uma vaga que eu tinha como plano B. “Um homem nunca deve fazer propaganda dos seus sonhos para outro, assim como uma mulher não deve fazer propaganda do seu homem para outra”.

Quando  a mulher soube, desesperou-se também, perdi o casamento do meu irmão por conta do redemoinho da mudança frustrada, e lá ,estava eu na mais pura, completa e absoluta pastosa de toda a vida. O foda era aguentar os “É isso mesmo…”, “Tem que aceitar…”, “A gente fez o que pode…”, como o rumo da minha vida não dependesse mais de  mim. Sonha, Tonha!

E o que fiz???  Eu vou contar, mas só no próximo e último capítulo da saga dos vanpiros: “Sereno“.

Não perca, porque esse nem a Stephenie Meyer tem! 🙂

Bons Estudos!

WC

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Walter Cunha

O professor Walter Cunha é pós-graduado em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica ( ITA).

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2 Resultados

  1. Marcos disse:

    Pow! Acho que valeu muito a dica:
    “Um homem nunca deve fazer propaganda dos seus sonhos para outro, assim como uma mulher não deve fazer propaganda do seu homem para outra”.

  2. Thiago disse:

    sugestão: matar o tal “colega”

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