Eu realmente tenho que estudar esse negócio?

Olá pessoal, tudo bem? Faz algum tempo que não escrevo para o blog, pois (felizmente) estava muito ocupado com as aulas presenciais em Brasília e também com o projeto ITnerante, com o qual vocês já devem estar familiarizados.  Entretanto, prometo que vou reservar mais tempo ao blog.

De antemão, aviso que, para os próximos posts, eu usarei uma abordagem diferente.

Já temos muitos artigos com materiais, resumos, questões comentadas, etc. – a comunidade nos provê bastante material. Por isso, nos próximos textos, pretendo focar em orientações, dicas e informações que considero importantes, baseadas na minha experiência tanto como concurseiro (velhos e bons tempos) como professor. Serão bate-papos informais com o objetivo de esclarecermos algumas das principais dúvidas e alinharmos alguns entendimentos importantes.

Hoje eu quero falar sobre uma dúvida (está mais para “indignação”) que costuma afligir muitos concurseiros da área de Infraestrutura e Suporte: “esse negócio de Gestão e Governança (GTI) serve para alguma coisa? Eu devo estudar isso?”. Bem, a resposta é…

SIM! Mil vezes SIM!

Antes de eu entrar no mérito da questão que vou abordar, quero deixar uma coisa bem clara: não tenho nada contra os profissionais de Infraestrutura e Suporte. Pelo contrário, apesar de não ser da área, “na minha época de estudos” eu também tive que estudar Redes, Linux, Segurança, etc. – até peguei gosto por esses assuntos. Na verdade, eu só estou usando Infraestrutura e Suporte como EXEMPLO, pois remete à conversa original que eu tive na lista, mas poderia muito bem citar profissionais da área de Desenvolvimento que vivem reclamando que “têm que estudar Redes, Segurança, etc.” ok? Só para deixar claro.

E antes que eu me esqueça de outra coisa: por “Gestão e Governança de TI” estou querendo dizer, basicamente, PMBOK, ITIL, COBIT, Planejamento Estratégico, etc., ok?

Vamos lá.

Aproveitando aqui umas linhas que troquei com o pessoal da lista TIMasters recentemente sobre o assunto, olhem o que eu comentei, naquele momento:

“Pessoal, eu sei que deve ser frustrante para o pessoal de Suporte pegar uma prova cheia de questões de governança e gestão. Mas eu digo uma coisa a vocês: caiam na real enquanto é tempo.”

Eu elaboro o e-mail falando das razões pelas quais o pessoal da Infraestrutura deve “cair na real”, mostrando que é uma péssima estratégia deixar GTI de lado. Em resumo, eu vejo duas razões básicas para isso:

1. Primeiro, a razão mais óbvia, curta e automática de todas: GTI é cobrado em prova, mesmo para cargos de Suporte. É simples assim. Vocês devem estudar os assuntos que são cobrados nas suas provas, ponto final. Não cabe ao concurseiro questionar se aquilo é “justo” ou “descabido” ou um “absurdo”. Isso só vai fazer vocês perderem tempo. Deixem para filosofar sobre isso depois, quando você tiver sido nomeado e empossado.

A razão número 1 acima deveria ser suficiente para encerrarmos o post por aqui, pois ela é matadora: estude o assunto ou sofra as conseqüências.

Mas como eu sei que nós, “Engenheiros”, somos pessoas de difícil convencimento, racionais, eu vou passar para a razão número 2 e, com alguma sorte, tentar mostrar a essas pessoas a importância de GTI para os seus trabalhos.

2. A segunda razão é baseada na minha própria experiência e nas conversas e depoimentos de outros colegas e professores que já têm uma certa “kilometragem” no assunto. Vejam só: eu já passei por alguns órgãos, tanto Estaduais como Federais (alguns tribunais, administração indireta, administração direta, etc.) e em todos eles, o que na verdade estava-se à procura (pelo menos para os cargos de nível superior) eram Gestores. Pessoas com capacidade de coordenação, análise, discernimento, com poder decisório, de alta responsabilidade.

Existem atividades operacionais? Sim, claro. Sempre vai existir a configuração do firewall, o cadastramento de usuários no Active Directory, o monitoramento da Infraestrutura, enfim, atividades corriqueiras e do dia-a-dia que têm que ser feitas por alguém.

Agora eu pergunto: vocês realmente acham que o governo nomeia um profissional do Ciclo de Gestão, por exemplo, (Analista de Finanças e Controle da CGU/STN, Analista do Banco Central, Auditor da Receita Federal – TI, dentre outros), que ganha na faixa de 13 mil reais, para ficar o dia inteiro cadastrando usuário no Windows? Ou que fica o dia inteiro programando em PHP para sisteminhas da Intranet?

Claro que não! (existem aberrações por aí, mas vamos ignorar esses casos bizonhos, para fins didáticos)

É muito mais barato, para essas situações operacionais, nomear técnicos, que ganham metade do salário, ou mesmo terceirizar essas atividades a empresas especializadas, a preços competitivos de mercado.

Os profissionais de Suporte devem utilizar o seu conhecimento em atividades muito mais importantes, muito mais “estratégicas” (segundo a própria IN04, as atividades estratégicas devem ficar sob responsabilidade dos servidores da Administração).

Essas pessoas vão elaborar termos de referência, gerenciar o Service Desk da instituição, fiscalizar e elaborar contratos, gerenciar acordos de nível de serviço, gerenciar projetos, enfim, vão ser GESTORES de informações. Ainda que essas coisas tenham como objeto algo relativo a Infraestrutura e Suporte  (contratos sobre a Rede do órgão, termos de referência para reestruturação do Parque Computacional, projetos para avaliação da Segurança da Informação do órgão, etc.) – vejam bem: para todas essas coisas, mesmo que estejam relacionadas a Suporte, você TEM QUE SABER DE GESTÃO E GOVERNANÇA DE TI. Elas são a base conceitual que dará suporte à realização de todo o planejamento estratégico do órgão.

Por quê? Bem, isso é assunto para outro post, mas acredito que toda pessoa que já estudou esses assuntos deve ter uma boa noção da base que eles proporcionam à estratégia de algum órgão.

Repito: percebam que este comportamento de “negar” determinados assuntos não acontece só com o pessoal de Suporte – antes que digam que eu tenho algo contra alguém. Vejo isso acontecendo direto com outros cargos também, como Desenvolvimento (“para quê eu tenho que saber a estrutura do pacote IP?”, “por que eu tenho que saber o algoritmo de criptografia DES?”, etc.). Eu só utilizei como exemplo o cargo de Suporte porque esse texto foi baseado em alguns emails trocados justamente com esse grupo de pessoas. Mas eu poderia usar o mesmo argumento para diversos outros cargos, como comentei anteriormente.

Qual é o meu conselho para vocês, então?

Recomendo fortemente que vocês não deixem de lado nenhuma dessas matérias. Todos nós sabemos que o tempo é curto, mas não se surpreendam mais com isso: as provas de Suporte vão continuar cobrando ITIL, COBIT, Planejamento Estratégico, etc. As provas de Desenvolvimento vão continuar cobrando Procotolos de Rede, Algoritmos de Criptografia, Escalonamento de Processos, etc.

Podem apostar.

O quanto antes você perceber isso, mais curto será o seu caminho até a aprovação.

O importante mesmo, no final das contas, é estudar e estar preparado para o que vier pela frente, sem filosofar muito.  Depois que você já estiver nomeado e empossado, nós marcamos um barzinho aqui em Brasília para discutirmos o quão absurdas são as Bancas Organizadoras e os assuntos cobrados, de preferência regado a muita cerveja =).

Beleza?

Abraços e até a próxima (espero que em breve)!

Fernando Pedrosa Lopes

»crosslinked«

nandopedrosa

Analista de Finanças e Controle - Ministério da Fazenda/Coordenação de Sistemas Graduação: Universidade Federal de Pernambuco Certificações: ITIL Foundation Certified Java Programmer Certified Java Associate Certified Aprovações: Concurso Ano Cargo Posição Organizadora PBGÁS 2007 Analista de Sistemas 1 FCC SERPRO 2008 Administração de TI 1 CESPE COPERGÁS 2008 Analista de Sistemas 1 UPENET INMETRO 2007 Analista de Sistemas 2 CESPE STN 2008 AFC-TI 2 ESAF STJ 2008 Analista Judiciário 3 CESPE TRF-5 2008 Analista Judiciário 5 FCC TRF-5 2008 Técnico Judiciário 5 FCC TCU 2008 ACE-TI 7 CESPE TJ-PE 2007 Analista Judiciário 11 FCC BNDES 2008 Analista de Sistemas 27 CESGRANRIO

Você pode gostar...

5 Resultados

  1. João Carvalho disse:

    Tudo a ver. Venho constatando isso desde que fiz a minha primeira prova de concurso em 2007 (TCU). De lá para cá venho correndo atrás (atrás mesmo!) de conseguir esses conhecimentos. Muita coisa a aprender, conceitos abrangentes e, para nós técnicos, completamente distantes, num primeiro instante. Mas encorajo os colegas a iniciarem e prosseguirem: hoje o meu melhor rendimento é Gestão e Governança de TI. Nas últimas provas que fiz (TCU e MPU) foi o que mais me ajudou.

    Fernando Lopes, excelente o teu post!

    Obrigado.

  2. Henrique disse:

    Excelente este post. Hoje o profissional de TI não sabe o que é e como funciona a Governança de TI, estará fora do mercado.

    O importante é buscar conhecimento pois o tema é muito abrangente. Sou de BH e recomendo a todos um excelente curso. Comecei neste mês uma pós-graduação em Gestão de Tecnologia na PUC Minas e recomendo.

    A grade de materias passa por todos esses tópicos, Itil, COBIT, PMBOK, além de Planejamento Estratégico, PETI, entre outras disciplinas.

     

  3. Thiago Pauxis disse:

    Ótimo post, nandopedrosa, e realmente muito oportunista!  Sou recém-concursado do Governo do Estado do Amapá e trabalho no Centro de Gestão da Tecnologia da Informação (Prodap). Minha área é redes e hoje trabalho com infraestrutura, mas mesmo assim sinto a necessidade de conhecimentos em GTI, pois passei a compor uma espécie de ‘conselho deliberativo’ que basicamente intermedia questões entre a alta hierarquia administrativa e o corpo técnico, e no meu cotidiano lido com situações exatamente como as citadas no texto.

    Também fiz o concurso do MPU2010 e fiquei surpreso com o peso das questões de GTI. Resolvi levar a sério a curiosidade que havia me guiado a algumas coisas relacionadas à GTI e já estou providenciando suprir minhas deficiências na área.

     

    Abraços !  O blog ganhou um seguidor !  o/

     

     

     

  4. José disse:

    Ótimo post… Eu sou da área de redes, fiz ciências da computação e nunca tinha visto nada de governança de TI na vida. Algum tempo atrás, peguei o material de ITIL e cobit e comecei a ler, mas achei muito chato e parei… Li alguns resumos também mas não adiantou nada.

    Mas o que é dito aí é verdade, muito díficil contratarem alguém pra ficar só fazendo serviços operacionais, eles vão querer alguém que tome decisões, tenha responsabilidades e gerencie (coisas que sei que não tenho conhecimento e tenho que me aprofundar)

    Agora fiz a prova do MPU onde quase metade da parte específica foi só sobre isso, e me ferrei bonito. Foi a gota d’água, decidi que vou fazer um curso online que me recomendaram primeiro de cobit e depois de ITIL. E quem sabe mais tarde um pmbok (esse eu achei o mais chato dos três hehehe!)

  5. Marcelo Guará disse:

    Muito bom o post!!!

    É isso mesmo, essa de ficar falando de assunto x ou y são sintomas da velha e já conhecida doença de alguns concurseiros a desculpite.

    O bom do post é já uma orientação pra quem sofre desse mal já ir iniciando o tratamento.

    Obrigado pelo excelente post!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *