Trajetória: Walter Cunha – Parte V: Sereno

E, como eu falei no capítulo anterior, lá ,estava eu na mais pura, completa e absoluta pastosa de toda a vida… E nessa hora, a minha capacidade de abstração foi essencial mais uma vez.

Em vez de desanimar, atribuí uma missão para mim:  passar em um concurso de ponta para que minha “transferência” não dependesse mais de ninguém .  E, sabe como é, missão dada, parceiro, é missão cumprida…

“Demorei muito pra perceber quem eram meus verdadeiros inimigos – e numa guerra isso pode ser fatal. Mas a verdade é que a minha guerra contra o sistema estava só começando. E, dessa vez, era pessoal.”

Estabeleci um cronograma de estudos (e tentei cumpri-lo ao máximo), fui atrás das bibliografias consagradas e mirei em um alvo: Controladoria-Geral da União.

Cai matando nos estudos. Transformei minha sala de estudos em uma verdadeira máquina de guerra.  Derrubei livro e provas uma a um.

Não existia hora perdida.  O clima estava tenso, até mesmo com a mulher eu tive que fazer alguns ajustes…

No meio da guerra, foi aberto também o concurso para ATRFB da Receita, mas pagava menos do que eu recebia como oficial. Tô fora! Só que um grande amigo meu, que hoje até trabalha comigo na CGU, me deu uma idéia brilhante na época. Faz ATRFB, mas faz para Fortaleza-CE, para casa! Algo que mudaria a minha vida dali em diante…

Ora, eu teria finalmente a possibilidade  de voltar para casa (para a praia), algo que eu já dava como impossível. No mínimo, seria uma escala prazerosa antes de um dia eu ir para o TCU. Continuaria estudando, porém,  perto dos familiares e na praia! Se tudo desse errado, pelo menos eu estaria em casa! Outra lição de vida: “um passo atrás pode ser necessário antes de dois passos a frente “.

Em 2006, fiz tanto CGU quanto ATRFB, e, adivinhem, passei nos dois! Sendo que eu havia conseguido o 1ro lugar entre os cabeçudos de Fortaleza! PQP!

Galera, chegar duas vezes seguidas na sala do RH da FAB com um edital na mão dizendo que você foi aprovado em um concurso e que vai embora não tem preço! Para outras existe mastercard…

Um babaca-mor chegou a dizer que eu já havia levado o edital e que não precisava levar outra cópia não. Eu disse, com todo prazer… É outro, “filho”! Heheheh

Quando viram que eu ia sair mesmo, a notícia correu rápido, e, literalmente, tocaram o zaralho na unidade. Eu era o único cara que manjava de todas as conexões dos sistemas. O comandante recém-chegado quase teve um enfarte, quando soube.

Eu disse, blefando, se me transferirem agora para Recife (mais perto possível de casa…), eu fico. Levaram o caso para o Rio e para Brasília, mas, no fim, vieram com a proposta absurda em que eu ficaria esperando até o final do ano para ser transferido. Sonha,  Tonha!

Quando veio o dia da grande decisão, resolvemos, eu e a mulher, por vários motivos, pessoais e estratégicos, irmos mesmo para Fortaleza-CE. Mas foi um dilema cruel, foi difícil marcar no papel. Lembro que levamos a noite toda pensando nisso. Formalizei minha desistência na CGU para dar lugar a outro. Ainda tenho o D.O.U.

Fui, então, para o Rio, para o Curso de Formação (CF). E participar de um curso de formação da RFB (só curtição) na cidade maravilhosa, é sem noção de bom.

Tive que voltar ainda a Manaus para aguardar minha liberação oficial, mas, em dois dias, o meu chefe praticamente me mandou embora, porque eu estava “influenciando negativamente” os outros. “Vai timbora, carniça!”.

E lá se fomos eu e Bela para Forks, ops, para Forkstaleza…

Até o próximo capítulo: Soltice.

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Walter Cunha

O professor Walter Cunha é pós-graduado em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica ( ITA).

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