Trajetória: Walter Cunha – Parte VI: Solstice

Então, estávamos eu e Bela de volta à Forks, ops, à Forkstaleza…

E agora, como seria? Será que eu ainda teria pique para estudar ou ficaria acomodado por ter voltado para casa? Terça, Camarão; Quarta, Ostras; Quinta, Caranguejo; Sexta, Dom Pastel; Sábado, Beach Park…

Lembro que em Fortaleza, tudo parecia mais fácil. Ora, nós tínhamos dado adeus às passagens aéreas, aos interurbanos, etc, e eu e Bela estávamos mais perto das Famílias. Tudo que um ser humano normal quer.

O ambiente da RFB também era ótimo. Lá, fiz várias amizades para vida toda. Lembro que, nos primeiros dias, não conseguia para de chamar minha chefe de “Senhora”, o que a irritava, e toda vida que saía à rua sempre procurava pela minha cobertura da cintura. Quem é/foi militar sabe do que eu estou falando.

Na Receita, eu trabalhava com Projetos de Infra de TI, assim como era na FAB, e assim como hoje é na CGU. Nessa época, eram muito comuns as viagens: São Luis, Teresina, Rio, Brasília e para as Delegacias do Interior: Juazeiro, (Expo) Crato, e Imperabal…, ops, Imperatriz. O ambiente era o melhor possível.

Tudo estava lindo e maravilho. Porém, havia um problema: Eu!
Ora, eu era Analista entre um monte de colegas Auditores. E, bicho, é chato demais ter que ficar explicando a eterna pergunta: “Por que você não fez para Auditor?”. Dá vonta de dar uma de Saraiva! E os Contra-cheques? Quando chegava dezembro, então, com férias e 13ro, a diferença era brutal. E, vamos e convenhamos, eu não ralei a minha vida inteira para morrer na praia (lietralmente falando…). Queria relaxar em um cargo de primeiro nível.

Lembro que nos primeiros dias de Fortaleza, sem os exercícios e o dinamismo do militarismo, somado ao sendetarismo de um cargo puro de TI – toda hora de frente a um computador -, comecei a engordar e, enfim, descobri a minha cruz: as costas. Comecei a ter crises agudas de inflamação no tendões, que só se agravaram com a volta aos estudos. Como se pode se concentrar desse jeito? Na crise mais forte, minha sogra teve que me levar para uma clínica, e uma velhinha (mesmo) que passava na rua teve que me ajudar a sair do carro e, por fim, o médico teve que corta minha camisa com uma tesoura pois eu não consegui leventar os braços. Legal? Esse era eu nessa época:

Foi então que eu descobri o pilates! Não, eu não usava Collant, sacana! Junto com a corrida, eu comecei a emagrescer, fortaleci a musculatura e as dores diminuiram drasticamente. Só então, o rendimento dos estudos começou a voltar. Fazer exercícos não era mais uma escolha, era uma questão de necessidade.

Voltando ao que interessa… Voltei a pegar forte nos estudos. Foi mais ou menos nessa época que comecei a ministrar aulas de informática básica para complementar a renda. Logo, acabei sendo convidado para ministrar um Aulão de TI junto com o Jaime em um curso de Fortaleza. Para interagir com a turma, montei uma “listinha” de E-mails e um Blog. O Resto dessa história vocês já sabem… Um dia eu conto ela…

Finalmente eu havia criado um ciclo virtuoso que eu sempre sonhei: trabalhar, ensinar e estudar a mesma coisa, e ainda dava pra tirar o da cachaça. Embora consumisse o meu tempo, na minha opinião, valia a pena. E quanto a minha Cruz? Parceiro, todo mundo tem uma, o negócio é não reclamar muito se a sua vem com “rodinhas”. Nas provas, eu tomava um relaxante muscular e colocava Emplatro Sabiá (É o novo!). Só tinha “pena” do cara que sentasse atrás com aquele cheiro todo de gelol.

Fiz a prova do TCU em 2007 e, apesar de toda inexperiência nesse tipo de concursos, que exigiam muita governança, figurei nas duas listas de TI, mas não passei em nenhuma. Pense no negoção! Lembro que foram dois dias de provas, em Brasília, três turnos, com direito a seis redações. Quando sair da sala, estava quase sem conseguir andar de tanta dor.

Prosseguindo, passei na SEFAZ-CE, mas não iria assumir, pois havia um dúvida se iria pagar mais ou menos do que a RFB, fora o problema com o meu diploma de Engenharia Eletrônica, e ainda que o órgão era sujeito às oscilações de humor dos governos estaduais. Fiz Câmara em 2007, mas avacalhei tanto que não passou de uma viagem para Recife.

Em 2008, eu tinha decidido que ia ser o ano da virada! Ia ter TCU de novo e também o da CGU, que eu poderia fazer só para praticar. E foi com essa mentalidade que prestei novamente CGU, sem estudar muito para o concurso, errar muita besteira por pura displicência e não entrar com recurso algum depois das provas, tudo no clima de desdém, porque eu já tinha passado uma vez e o que eu queria mesmo era o TCU. E vou logo avisando: nunca façam isso! Lembro que acabei ficando em 24 (sugestivo…) de 14 vagas. Ou seja, estava fora!

Que venha o TCU! Estudei feito um condenado, tirei férias, doei sangue, até fiquei feliz de ter torcido o tornozelo. Ora, apesar da dor, era mais tempo para estudar. Nem preciso dizer que não façam isso de propósito, né? Então, no dia da prova, eu estava com todas as “Roupas e as Armas de Jorge”. Tubarão com gosto de sangue na boca. Cutucando o TCU com vara curta. Não tinha como dar errado. Então, como foi? Seguem uma cenas do que aconteceu por lá…

Eu apanhei, mas, bicho, apanhei como nunca tinha apanhado na vida de uma prova. Sai da prova – parafraseando um timasters – sentindo-me a Chun Li depois de ser abufelada pelo Anderson Silva. Foi Phoda!

Carácoles, minha redação não havia sido nem corrigida! Que é isso, meu irmão? Que insanidade foi aquela? Na realidade, faltou gente para completar o número de Redações a serem corrigidas. Fiquei na merda!

E para piorar, sabe o cargo daquele concursos que eu havia feito só para treinar? Pois é, ele “sofreu” um aumento e seu salário praticam-emente se equiparou ao RFB e do TCU. :/ E meu gás de estudo já estava praticamente acabado. Quando eu iria curtir a vida? Por que eu não fiz a prova da CGU sério? 🙁

Pois é, galera, o resto da história eu deixo para o próximo capítulo…

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Walter Cunha

O professor Walter Cunha é pós-graduado em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica ( ITA).

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1 Resultado

  1. julho 24, 2011

    […] eu disse no post anterior: meu gás de estudo já estava praticamente acabado. Já contabilizava mais horas de HBC que um […]

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