História verídica: Tipos de Concurseiros

Fonte: http://tinyurl.com/6cegffg

Pessoal, antes de mais nada esta mensagem é um pouco grande mas é o relato
de uma história real, que é, no mínimo, engraçada. Ao ler os posts do tópico
sobre os tipos de concurseiros e rir com os estranhos, peço vênia para
comentar algo relacionado ao tópico e que aconteceu *veridicamente *comigo
no último concurso do MPU e que ri bastante – aliás, quase não acreditei.
Foi o seguinte:

Ao chegar à minha sala, no dia do concurso do MPU, um gordão com idade entre
35-40 anos e com uma blusa do Corinthians (sem maldade, estes são os únicos
detalhes que lembro) chegou todo faceiro, tirando brincadeira com todos que
cruzavam com ele. Arriscou piadinhas com gatinhas concentradas nos estudos
de última hora e até com os sérios fiscais. Quase todos o ignoraram.

Eis que ao entrar na sala vejo, pouco tempo depois, o extravagante
corintiano se apresentar à fiscal – e já foi tirando onda com ar de galã:
“oi gatinha, você vai ficar me fiscalizando a prova inteira é?” (podre!),
daí ela, com tom sério, pediu para ele recolher tudo o que não fosse
permitido no edital: ele entregou uma pequena bolsa que carregava. A mulher
solicitou o relógio, ele fez cara de chateado. Pediu ainda canetas e outras
quinquilharias para o fanático torcedor que entregou tudo resmungando: “tsc,
vai querer minha cuequinha também?”. Dava para ver que a fiscal tinha ficado
perplexa com as cantadas do garotão.

Pensei: o que um cara dessse naipe está fazendo num concurso para analista
do MPU? De duas, uma: ou ele está muito preparado e essa prova é só uma
brincadeira de domingo, ou ele não sabe nem o que está fazendo aqui. Como
verão, a segunda alternativa foi a verdadeira.

Ele entrou na sala e sentou-se à minha esquerda, uma cadeira à minha frente,
portanto, à diagonal. Até que o sino soasse, o jocoso torcedor enfileirou
piadas infames, sem receber qualquer incentivo dos presentes para continuar
seu show. Aliás, via-se que todos preocupavam-se com a paz do ambiente na
hora da prova, visto o rapaz ter demonstrado uma “alegria” quase
descontrolada.

O sino tocou e todos aprontaram-se em suas cadeiras. A prova foi distribuída
e o gordão – agora simplesmente chamado de *protagonista *-, inocentemente,
nos deu um grande espetáculo. Durante 15 minutos ele balbuciava (em alto e
bom som):

*- **(protagonista) **Hummm….*
*- **(protagonista) **Errrr… bem….*
*- **(protagonista) **Humm…..*
*- **(protagonista) **Hummmm…*
*- **(protagonista) **Masss…*

Quando os presentes começavam a dar sinais de que aquilo já passava dos
limites, o torcedor questionou à fiscal (ah, detalhe crucial: a prova era do
Cespe):

*- **(protagonista) **Hummm…. ei moça, moça! fiscal! é o seguinte: a minha
prova está toda errada. Minha prova só veio com perguntas e não tem nenhuma
resposta. Eu já conferi ela toda e está tudo assim. O que danado é isso?
*

Pessoal, sabe quando a cortina do teatro está fechada e ela repentinamente
abre com um estrondoso som e TODO MUNDO levanta a cabeça? Foi a reação de
todos na sala! Ninguém acreditava que um cara estava na prova de analista do
MPU sem saber sequer como era a prova. O espetáculo continuou:

*- (fiscal) mas senhor, como assim?
– (protagonista) a minha prova não tem respostas, só perguntas. E… Ah!
agora sei! tenho que responder as perguntas nesta folha solta aqui (ele
referia-se à folha definitiva de redação) né?
– (fiscal, aproximando-se do rapaz para checar) mas senhor, sua prova está
correta. O senhor tem que responder aqui nesta folha se a questão está certa
marcando o “C”, ou errada, marcando o “E”.
– (protagonista exclamando tal qual Arquimedes ao descobrir como calcular o
volume dos corpos) – AHHHHHHHHHHHHH siiiiiiiiimmmmm!!!! agora siim!!! tá
bom, tá certo moça, agora deixa comigo!
– (candidatos na sala) todos entreolhavam-se, com expressões de espanto e
riso preso, não acreditando no que viam.*

A partir de então o protagonista “mandou ver”. Fazia cara de concentração,
de ideia, de descoberta e de lembrança que vem à tona. Depois de 50 minutos,
ele voltou a atuar em seu espetáculo:

*- (protagonista) – Moça, tá pronta! (e fazia ar de superioridade e
satisfação intelectual). Agora prá quê serve esta folha aqui? (era a folha
da prova discursiva)
– (fiscal, com flagrante ar de hesitação em continuar com o sacrifício
daquele rapaz) senhor, você deve escrever sua redação nela, conforme as
orientações do caderno de prova.
– (protagonista) redação? ué? eu tenho que escrever uma redação? peraí
então…*

E por cerca de 5 minutos garimpou a prova atrás, decerto, da dita
orientação. Eu fiquei olhando aquilo, impressionado. Em seguida, ele repetiu
o som de descoberta, que desta vez soou como verdadeira piada para todos nós

*- (protagonista) AHHHHHHHH siiiiiiiimmmmmm! agora sim!*

Dessa vez ele fez todos rirem à sala! Os fiscais não se contiveram. Um
deles, inclusive, não conseguiu parar o riso por vários minutos, entrou em
crise o probre rapaz. Após 5 minutos ele repetiu o seu chavão de outrora:

*- (protagonista) – Moça, tá pronta! toma aqui!

*
Quando ele falou isso, levantou a prova e pude ver sua folha de redação (eu
estava perto). *Ele havia escrito 3 linhas!*

Entregou os materiais. O fim foi tão bom quanto o meio::

*- (fiscal, com um discreto ar irônico) boa sorte senhor!
– (protagonista, confiante e com ar de graça) nem vou precisar, essa já é
minha!
– **(protagonista, já saindo da sala, gritando confiante e com ar de graça)*
* nos vemos lá no MPU cambada!*

Foi outra onda de riso. E por mais que isso tivesse tirado um pouco de nossa
atenção, foi curioso e divertido ver aquilo. Até amenizou o clima de pressão
que toda prova tem.

Acreditem: isso foi REAL, na prova de domingo do MPU, lá em Porto Velho/RO.

Qual será o tipo de concurseiro dele? ou será um mix de tipos?
Kakakakakaka!!

Abraços turma!

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1 Resultado

  1. julho 17, 2011

    […] Vocês não tem idéia da quantidade concorrentes que chegam no dia da prova, sem nunca ter explorado (ou visto) um edital ou uma prova, dando origem a muitas situações que seria engraçadas, se não fossem trágicas. Uma situação bem pitoresca pode foi apresentada no Post: História verídica: Tipos de Concurseiros. […]

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