Trajetória: Walter Cunha – Parte VII: Final

Como eu disse no post anterior: meu gás de estudo já estava praticamente acabado. Já contabilizava mais horas de HBC que um piloto Internancional. Enfim, eu estava ficando para titio nos concursos.

Afinal, quando eu iria curtir a vida? Ia ficar igual ao David de Banner no fim do capítulo?

O jeito era levantar a poeira e dar a voltar por cima. 

Sorte que 2008 estava sendo o ano dos Concursos:
CGU, MPOG, STN , TCU, Senado e Previsão do Bacen. Lembro que resolvi continuar apostando  no Ciclo de Gestão – MPOG e STN -, enquanto não viria o TCU de 2009. O estilo do Bacen não casava com o que eu vinha estudando e o Senado eu não iria prestar por decisão pessoal.

Lição: “Em concursos, é preciso também saber dizer NÂO.

Seguindo o roteiro, prestei MPOG e até que fui bem, contudo fiquei no corte na discursiva e isso nunca tinha acontecido. O Cocurso do MPOG foi inesquecível. Apesar de nunca ter me visto trabalhando lá (não conhecia quase nada no órgão), com o gás acabando, passei a acreditar que eu seria chamado, uma vez que estava quase certo a convocação dos 50%. Ora, é o próprio MPOG que autoriza!

Lição: “Quanto mais perto de Deus, menos se reza.”

Lembro que cheguei a combinar parceiros de quarto e tudo mais nos fóruns. Porém, quando saiu a lista de convocação, meu nome simplesmente desapareceu, assim como eu dos fóruns, tamanha a vergonha. Os meus ex-futuros companheiros de quarto ainda chegaram a perguntar por mim, mas eu preferi o ostracismo.

Lição: “Enquanto não sair o resultado final, fique calado!

Para completar o  meu drama pessoal, eu, como aquelas pessoas que compram um equipamento e só depois vão estudar os benefícios das alternativas para se arrepender, eu comecei a me interessar pela CGU e a estudá-la. Descobri coisa como:

  • A CGU era a Auditoria do Governo Federal, e seus funcionários prestes a se tornar Auditores Federais de Controle;
  • Era conhecida internacionalmente por seu trabalho de combate à corrupção, um órgão que me daria orgulho de trabalhar;
  • O órgão cada vez ganhava mais destaque nas manchetes de jornais e sua importância para o Governo só crescia;
  • Você é um AFC genérico, ou seja, pode trabalhar na TI, mas nada impede de migrar para outras áreas, assim como na RFB;
  • Se migrasse para área de Auditoria, um dia poderia voltar para casa, se eu quisesse (difícil, mas pelo menos havia a possibilidade);
  • Não seria discriminado institucionalmente, nem poderia ser passado para trás pela área-fim em negociações salariais;
  • Dentre outras.

E cada vez que eu descobria uma coisa nova sobre a CGU, eu me perguntava: Que #$%@ eu fiz? 🙁

Aí, eu chutei o balde, resolvi não mais acompanhar as convocações (já que eu estava fora dos 50%), e também não mais me matar de estudar para o TCU. Ora, quanto mais eu estudava, mais eu me ferrava. Para se ter idéia, nem prestei mais STN.

Foi justamente nessa época que eu relaxei mais e resolvi me dedicar a alguns prazeres: família, happy hours com amigos, comidas, bebidas, viagens pelas praias do litoral e o Off-Road (um desejo antigo!):

Minha vida estava tranquila, enfim, estava curtindo (não plenamente, mas estava). Fiquei muito mais equilibrado, pensando em ficar no Ceará mesmo, curtindo as praias. Financiei até um apartamento, certo que eu estava em fincar raízes. O “frivião” já estava se aquietando e eu já estava enterrando o passado. Foi então que, quando menos eu esperava, alguns defuntos começaram a se levantar ada cova para vir me “assombrar”.

Lição: “Preste vários concursos não só para treinar, mas para ajudar a sorte a ajudar você!”

O primeiro defunto a acordar foi o Concurso de PCF de 2004, lembram? Os excedentes estavam conseguindo várias vitórias no caminho da sua convocação e eu era o próximo da lista da Áres 02. Eu não parava de pensar na ironia que seria passar no primeiro concurso que prestei e logo para Perito Federal! Só tinha um probleminha: eu teria que voltar a Manaus, por tempo indeterminado, e minha esposa não iria gostar muito. Ao abordar a minha digníssima, que nem lembrava mais o que era concurso, ela foi muito compreensiva e solidária e me mandou um sonoro: “Vai só!”. Amo a delicadeza cearense da minha esposa.

O segundo walking dead foi a CGU 2008, que se levantou de uma forma muito engraçada. Estava eu deitado na rede, zapeando no meu laptop, quando então um popup do Gtalk apareceu perguntando se eu “iria assumir”. WTF??? Caramba, descobriram o meu segredo? Era o Keyne, hoje meu irmãzinho em BSB, parceiraço de FALERT e também integrante da temida Brotherhood dda SITEC/CGU.

Na época, ele estava uma posição depois de mim na listagem de convocação da CGU. Eu estava tão descrente que falei que ele estava enganado, pois eu já estava fora do páreo. Foi então que ele me penguntou, com espanto, se eu não tinha acompanhado o andamento da fila e  afirmou que eu seria o próximo convocado. Para vocês terem idéia do meu ceticismo, eu só acreditei quando ele me mandou o Edital. Quem pode me culpar? Eu só me ferrava, porque ia ser agora que ia me dar bem?

Bicho, aí minha sorte virou:

  • Minha esposa já tinha se formado.
  • Eu havia acabado de adquirir estabilidade na RFB , ou seja, poderia ir, e, se me arrependesse, poderia voltar.
  • Se convocado para PF em Manaus, não me veria mais obrigado a ir, pois teria uma alternativa concreta;
  • Indo para CGU, existiria a possibilidade de voltar para casa (mesmo que difícil);
  • E em Brasília, eu poderia dar continuidade e, quem sabe expandir, minha atividade de professor de concursos.

É claro que teve uma longa agonia até a convocação, mas ela veio, sim! Para mim, para o Keyne e, acreditem, para todos da fila de infra! Na verdade, faltou gente para ser convocada.

Já prestei o TCU 2009 todo avacalhado, e só porque oa poder fazer a prova do lado da minha casa. O resultado? Pífio, como no ano anterior. Ainda bem que eu não estudei! Tava mais preocupado em curtir os últimos dias em Fortaleza: Marcão das Ostras, Penelada do Chaguinha, Tia da BR, Camarão do Mercado dos Peixes,  etc.

E fomos para o Curso de Formação (CF)… [CENSURADO!]

Lição: “O que acontece no CF, fica no CF”! 🙂

Em outubro de 2009, tomei posse e, desde então, estou morando Brasília. Com o novo salário, tratei logo de tentar compensar um pouco Bela, pelo apoio prestado durante todos esses anos de sofrimento. Viajamos pela Europa e aproveitamos muito.

 

Atualmente, estou muito feliz no meu novo cargo e estou trabalhando em uma atividade que me é muito gratificante. Enfim, aposentei a caneta dos concursos.

– E quer dizer, Walter, que você aquietou?

Claro que não!  Para desespero da minha esposa, a minha pilha agora é oferecer aos novos concurseiros de TI, dentro e fora dos pólos, uma alternativa (ITnerante) para vencer as dificuldades, as mesmas que eu tive durante a minha jornada de praparação.

A verdade é que a minha guerra contra o sistema estava só começando, e desta vez ia ser pessoal.” (Cel. Nascimento)

 

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Walter Cunha

O professor Walter Cunha é pós-graduado em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica ( ITA).

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12 Resultados

  1. Leonardo Rocha disse:

    Walter,
    Simplesmente sensacional cara.
    Parabéns por cada vitória desde o início nos vestibulares. 
    Vale a pena ler frequentemente sua história para também se manter sempre na luta contra o sistema. 
    Abraços!

  2. Kleysson disse:

    Bicho…..você tem que ir no Jô contar sua história….cara, chorei de rir em certos momentos, mas em outros quase chorei….Isso tudo LENDO, imagina você contanto….
    Parabéns pela bela história….

  3. Ana Claudia disse:

    Depois de muito enrolar, agora que fui ler a sua trajetoria Walter.
    Muito bom ler, e saber o trabalhão que vc enfretou para chegar aonde chegou!
    Parabens, e continue firme na luta pelos seus objetivos. Isso só me incentiva cada vez mais!!!

  4. Ana Paula disse:

    Ameeeeei! Parabéns pela determinação e coragem!!!!!
    Próximo CGU eu e meu marido (ele é da área de TI) nos esbarraremos com vc pelos corredores!!!! Abraço e CURTA A VIDA!!!! Vc merece muito!!!! 🙂

  5. Vinicius Rafael disse:

    Sua história é a prova que verbo sonhar deve sempre estar acompanhado do verbo lutar, porque quando as pessoas se esforçam por mais que demore… um dia elas alcançam os seus objetivos.

  6. Keyne Taniguchi disse:

    Valeuuu, WC! Feliz em saber que fiz o papel do Hermes nessa trajetória! =)
    Parabéns por tudo cara, vc merece! E bora marcar uma falert ae que o bandido líder (vulgo BB) da Brotherhood SITEC está precisando! Hehehe…
    Abração
     
     
     
     
     
     
     
     

  7. Joao disse:

    Parabéns, Walter! Eu só não entendi bem em qual dos cargos vc ficou no final… Ficou como PCF?
     
    Abraços,

  8. Rafael Barão disse:

    Parabéns por compartilhar sua trajetória como concurseiro. Isso me consolou muito, pois estou em uma fase de insegurança muito grande.
    Parabéns pelo seu trabalho!
    Desejo a você que continue sempre realizando seus sonhos, assim como vem me ajudando a conquistar o meu.
    Abraço.

  9. Paulo disse:

    Ótimo Walter!!!
    Ótimo!!!

  10. Daniel disse:

    Cara, você é guerreiro.
    Obrigado pelo relato e apoio que você tem prestado para os concurseiros de TI.
    Parabéns. Que Deus te abençoe.

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